UEMA PESQUISA

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A Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) apresenta hoje (27) seu mais novo programa: UEMA Pesquisa, um espaço para a divulgação de pesquisas e publicações científicas de acadêmicos e professores. O programa será mensal e poderá ser acompanhado através de nossas redes sociais: instagram, twitter youtube e facebook.

 

Realizada pela pesquisadora Raysa Valéria Carvalho Saraiva, com orientação do Prof. Dr. Tiago Massi Ferraz e a coorientadora Profa.Dra.Francisca Helena Muniz (UEMA)

A Cobertura do Cerrado no Estado do Maranhão é de cerca de 65%. Embora haja considerável número de publicações sobre o Cerrado maranhense, há escassez de dados sobre a flora de unidades de conservação, especialmente quanto a estrutura do estrato herbáceo-arbustivo, o que implica em dificuldades para estabelecimento de planos de manejo e obtenção de referências para restauração ecológica.

“ A ideia inicial do estudo partiu do grupo de pesquisa do meu orientador Prof. Dr. Tiago Massi Ferraz, que já desenvolvia pesquisas no Parque Nacional da Chapada das Mesas, no município de Carolina, juntamente com o Professores Dr. José Roberto Sousa e Dr. Fábio Figueiredo. Visando subsidiar trabalhos de Ecologia e Conservação , foi percebida a necessidade de caracterizar as fisionomias da vegetação e estabelecer padrões biogeográficos, com análises estatísticas multivariadas,”afirma a pesquisadora Raysa Valéria Carvalho Saraiva.

Especificamente, foram trazidos dados sobre o Cerrado do Maranhão (o bioma que tem maior cobertura vegetacional no Estado, cerca de 65% do território), que infelizmente é um dos atuais alvos de projetos agropecuários que geralmente resultam em perdas de área de vegetação nativa. O Cerrado do Parque Nacional da Chapada das Mesas é considerado ecotonal (ou transicional) por apresentar posicionamento geográfico na porção Sudoeste da área de Cerrado do Maranhão, onde faz fronteira com a Floresta Amazônica; e a presença de altitudes inferiores à do Cerrado do Planalto Central brasileiro permite que barreiras biogeográficas na distribuição de espécies sejam ultrapassadas e dessa forma possa haver maior troca entre espécies de vegetações adjacentes nesta região.

“É importante lembrarmos que estamos trazendo contribuições para o Cerrado, bioma conhecido como um “hotspot” para conservação mundial, por ser um ecossistema ameaçado com grande número de espécies endêmicas”, ressalta.

Essas características conferem potencial para abrigar espécies raras ou com menor distribuição nas áreas de Cerrado brasileiro e contribuíram para identificação da região como de elevada importância biológica, através de cálculo em estudo realizado pela organização WWF Brasil e o Ministério do Meio Ambiente brasileiro. Na pesquisa apresentada a descrição das novas espécies, Dyckia maranhensis Guarçoni & Saraiva e Ipomoea maranhensis D. Santos & Buril enfatizaram a importância biológica da área.

Para os próximos passos da pesquisa será feita a submissão de um manuscrito sobre fitossociologia e os resultados da interação planta-solo “ Estão em andamento pesquisas financiadas sobre Ecologia e efeito do fogo nas áreas de Cerrado do parque sob a coordenação do Prof. Tiago Massi Ferraz e equipe de pesquisadores dos Programas de Pós-Graduação em Agricultura e Ambiente e em Agroecologia da UEMA.” conclui a pesquisadora.

O trabalho foi apresentado em três artigos que saíram neste ano de 2020 nos periódicos científicos Systematic Botany, Phytokeys e Annals of Brazilian Academy of Sciences. Confira abaixo os artigos completos:

– Cerrado physiognomies in Chapada das Mesas National Park ( Maranhão , Brazil) revealed by patterns of floristicsimilarity and relationships in a transition zone. Acesse aqui  https://www.scielo.br/pdf/aabc/v92n2/0001-3765-aabc-92-02-e20181109.pdf

– Dyckia maranhensis (BROMELIACEAE,PITCAIRNIOIDEAE), A NEW SPECIES FROM THE CERRADO OF MARANHÃO, NORTHEASTERN BRAZIL. Acesse aqui. l  https://bioone.org/journals/Systematic-Botany/volume-45/issue-1/036364420X15801369352289/Dyckia-maranhensis-Bromeliaceae-Pitcairnioideae-a-New-Species-from-the-Cerrado/10.1600/036364420X15801369352289.short

– A threatened new species of Ipomoea (Convolvulaceae) from the Brazilian Cerrado revealed by morpho-anatomical analysis. Acesse aqui https://phytokeys.pensoft.net/article/49833/

A Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) apresenta na segunda edição do UEMA Pesquisa, o trabalho: “Taxonomia de Leptophlebiidae Banks.1900 (Insecta: Ephemeroptera) para o Estado do Maranhão,” pesquisa desenvolvida pelo mestrando Stênio Raniery de Sousa Nascimento, orientador Carlos Augusto Silva de Azevedo e coorientador Lucas Ramos Costa Lima.

Os efemerópteros (Ephemeroptera) são uma ordem de insetos aquáticos, popular e  presentes no mundo todo, exceto na Antártida. Na pesquisa apresentada uma lista de verificação e novos registros de Leptophlebiidae (Ephemeroptera) foram apresentados para o estado do Maranhão, região Nordeste do Brasil. Foram identificados 15 gêneros e 20 espécies de Leptophlebiidae , sendo que no Maranhão aumentou de três para 21 o número de espécies.

“A ideia inicial do estudo se deu pelo fato de ocorrer poucos trabalhos sobre a ordem Ephemeroptera no estado do Maranhão e se tratando da família Leptophlebiidae até então só existia o registro de uma única espécie. A maioria dos estudos publicados para o Maranhão são ecológicos e os dados apresentados na sua grande maioria chegam somente até nível genérico,” ressalta o pesquisador Stênio Raniery.

Essa baixa representatividade está relacionada ao pequeno número de pesquisadores taxonomistas no Estado o que acaba gerando baixo conhecimento sobre a diversidade de Ephemeroptera tanto para a região Nordeste quanto para o Maranhão.

“Para a realização deste estudo tivemos a colaboração do pesquisador especialista Prof. Dr. Lucas Ramos Costa Lima da UESPI de Campo Maior para auxiliar na identificação das espécies.Para as coletas em campo tivemos o auxílio de pesquisadores do Laboratório de Entomologia Aquática – LEAq do CESC UEMA.”

Com a realização da pesquisa e os trabalhos publicados foi possível colocar o estado do Maranhão em evidência sobre o conhecimento da família Leptophlebiidae como também para a ordem Ephemeroptera. Foi possível descrever espécies novas e estágios de vida desses insetos ainda desconhecidos. Novos registros foram publicados para o estado do Maranhão,para a região Nordeste e para o Brasil.

“O próximo passo é publicar mais três espécies novas para o Estado, uma delas referente ainda a pesquisa da dissertação, onde já se encontra em processo de publicação. As outras duas foram encontradas nesse ano de 2020 e ainda está em processo de descrição e elaboração do manuscrito. Eu fui aprovado recentemente para o curso de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Entomologia) pelo INPA onde vou da continuidade as pesquisas relacionadas a ordem Ephemeroptera. Esta pesquisa sem dúvida servirá de ponto de partida para futuros trabalhos de taxonomia, sistemática, ecologia entre outras áreas de pesquisa  ,”conclui o pesquisador.

Confira os artigos completos publicados:

– A new species of Traverella Edmunds, 1948 (Ephemeroptera: Leptophlebiidae) from Brazil https://doi.org/10.11646/zootaxa.4619.1.12

– Description of the nymph of Thraulodes sternimaculatus Lima, Mariano & Pinheiro, 2013 (Leptophlebiidae: Ephemeroptera) from Northeastern Region of Brazil https://doi.org/10.11646/zootaxa.4683.2.7

– The nymph of Hermanellopsis arsia Savage & Peters, 1983 (Ephemeroptera: Leptophlebiidae) from Brazilian Northeastern Region

https://doi.org/10.11646/zootaxa.4768.4.10

– Leptophlebiidae Banks, 1900 (Insecta, Ephemeroptera) from Maranhão state, Brazil https://doi.org/10.15560/16.3.579

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Por: Priscila Abreu

O Uema Pesquisa desse mês apresenta o Projeto ” A poética da Desaceleração na ficção Distópica Fahrenheit 451, de Ray Bradbury,” da aluna Andressa Silva Sousa com orientação do Prof. Dr. Emanoel Cesar Pires de Assis do Programa de Pós Graduação em Letras.

O estudo faz uma interessante reflexão sobre como a evolução tecnológica impôs à sociedade um status incessante de urgência e rapidez e como as relações humanas estão, hoje, pautadas por uma cultura da velocidade.

“A ideia surgiu durante o cumprimento dos créditos da disciplina “Literatura e outras Mídias”, do curso de Mestrado em Letras da UEMA (Teoria Literária). A disciplina foi ministrada pelo meu orientador, Dr. Emanoel César Pires de Assis, que apresentou-nos a obra Fahrenheit 451(1953) em uma de suas aulas. A leitura inicial feita por ele me chamou bastante atenção, aguçando a minha curiosidade. Decidi comprar a obra e lê-la. Li e amei. Ao final da disciplina, resolvi escrever o artigo final baseado nela. Assim, esse trabalho de conclusão da disciplina serviu de protótipo para a construção da Dissertação, posteriormente,”afirma a mestranda Andressa Silva.

A Literatura, agindo contra a tirania da efemeridade contemporânea, revela aquilo que eles denominam de poética da desaceleração, demonstrando como Guy Montag e Clarice McClellan, personagens do romance de Ray Bradbury, aos poucos descobrem que é necessário, em meio ao turbilhão de eventos que acontecem praticamente ao mesmo tempo, aprendem a (re)olhar o mundo e as relações humanas.

Segundo a pesquisadora, a perspectiva escolhida para análise da obra possibilitou compreendê-la enquanto crítica à forma de viver do homem moderno e das consequências deletérias desse modo de existir. Considerando, portanto, que “ser moderno” significa, essencialmente, “ser incapaz de parar”, como afirmou Bauman (2001, p. 38); o estudo da obra “Fahrenheit 451″ (1953) torna-se relevante por seu caráter atual, confirmado ainda mais nesse contexto de pandemia.

Ao admoestar seus leitores acerca da lógica irracional do movimento acelerado e irrefreável em que a humanidade se lançou desde a modernidade capitalista, agudizado na contemporaneidade, a obra convida-os a desacelerar, movendo-se pela libertação dos efeitos de barbárie nesse sistema sócio-político-econômico. A obra de Bradbury ergue-se, ao mesmo tempo, como um Elogio à Literatura. Pois enquanto arte que se comunica através de uma linguagem não-imediata (FILHO,2007), toda obra literária carrega, em si, como potência, a Poética da Desaceleração -que é o ler-caminhar -, tão necessária para desviar o homem contemporâneo do ritmo frenético que o escraviza.⠀

“Atualmente, temos somente o artigo inicial publicado que foi escrito ao final da disciplina e encontra-se no e-book ” Literatura, Imagem e Mídias “, lançado pela Editora UEMA, neste ano. Recentemente, enviamos outro artigo para uma Revista, porém, ainda está em análise.⠀Temos a intenção de publicar mais artigos sobre a pesquisa em Revistas e, posteriormente, lançar um livro. Ademais, queremos aprofundar nosso olhar sobre pontos que não foram analisados na Dissertação e continuar desenvolvendo a pesquisa em uma possível tese de doutorado.”conclui a aluna.

Confira aqui para o artigo completo.

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Por Priscila Abreu

O Uema Pesquisa desse mês apresenta o Projeto: Biomarcadores e biossensores como subsídio ao monitoramento ambiental do complexo industrial e portuário de São Luís-MA, da discente Débora Batista,  com a orientação da professora Raimunda Fortes do Departamento de Biologia/Ecotoxicologia Aquática da Uema.

A pesquisa envolve também a participação de estudantes de iniciação científica da UEMA, mestrandos PPGRAP/UEMA, doutorandos da rede BIONORTE, professores da Coordenação do Curso de Engenharia Ambiental (UFMA/Balsas), Departamento de Biologia (UEMA/São Luís e UFMA/ São Luís), Coordenação do Curso de Licenciaturas em Ciências Naturais (Biologia)/UFMA/Codó, Departamento de Tecnologia Química (UFMA/São Luís), Departamento de Biologia Celular e Molecular (UFPR) e do Departamento Acadêmico de Biologia (UNIR).

A região industrial e portuária de São Luís tem grande destaque e interesse internacional na movimentação de cargas e a expansão dessa região motivou o estudo do monitoramento biológico realizado historicamente há mais de dez anos na região.A pesquisa levou também a desenvolver um dispositivo biotecnológico (biossensor) que permitirá identificar impactos ambientais com seletividade, relativo baixo custo e facilidade de uso de equipamentos portáteis.

“O conhecimento científico gerado sobre biomarcadores em peixes estuarinos será essencial para a elaboração e/ou aplicação de modelos de avaliação de impactos sobre recursos pesqueiros, contribuindo assim para a elaboração de planos de manejos e monitoramento da região. Além disso, a construção de biossensores iniciará uma nova linha de pesquisa para o Estado do Maranhão, no que diz respeito a detecção de micropoluentes emergentes em amostras ambientais do complexo industrial e portuário de São Luís-Ma,” ressalta a discente Débora Batista.

A pesquisa com os biossensores terá grande aplicabilidade em ações complementares de monitoramento ambiental, pois propiciará a criação de dispositivos com perspectivas reais de serem patenteados possibilitando o desenvolvimento de estações analíticas autônomas integradas remotamente.

Para o futuro da pesquisa espera-se consolidar as linhas de pesquisa na área da ecotoxicologia aquática e dos biossensores, especialmente nos campi da UEMA e UFMA do continente onde já se tem a ocorrência de impactos antrópicos e da vulnerabilidade desses ecossistemas. “ É esperado também o melhoramento de metodologias (biomarcadores e biossensores) e técnicas da biotecnologia ambiental para operar de forma conhecida e previsível, especialmente em ambientes sensíveis como é o caso dos estuários,”conclui a pesquisadora.

O conhecimento produzido na execução do projeto garantirá a formação de recursos humanos que atuarão em uma das linhas de pesquisas mais promissoras e inovadoras atualmente na área de biomonitoramento, resultando no convênio com empresas e órgãos públicos interessados na aplicabilidade dessas metodologias.”

Parte dos resultados da tese gerou o artigo aceito no periódico Ecotoxicology and Environmental Safety – ISSN: 0147-6513 (online), Fator de Impacto: 4,872. QUALIS CAPES A1 (Área: Biotecnologia). Acesse aqui a pesquisa completa.

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Por Priscila Abreu

O Brasil é o país com uma das maiores diversidades vegetais do mundo. Todos os anos, centenas de novas espécies são descritas em nosso país. Geralmente, essas novas espécies são raras e ocorrem em áreas restritas e remotas. Por outro lado, a presença de uma espécie desconhecida para a ciência em grandes centros urbanos é algo bastante incomum. Entretanto, foi o que pesquisadores de São Paulo e Maranhão encontraram.
Uma nova espécie de planta foi descoberta às margens da Avenida Litorânea, ponto turístico de São Luís, capital do Maranhão. Trata-se de Buchnera nordestina, espécie de planta parasita da família Orobanchaceae. A descrição formal da planta foi publicada na semana passada na Acta Botanica Brasilica, revista científica da Sociedade Botânica do Brasil.
A descoberta teve como ponto de partida a análise feita pelo biólogo e doutor em Biologia Vegetal, André Vito Scatigna, nos herbários da Universidade Federal do Maranhão (MAR) e da Universidade Estadual do Maranhão (SLUI). O taxonomista verificou exemplares com características que até então não haviam sido observadas em nenhuma espécie brasileira do gênero: as brácteas (folhas que subtendem as flores) excepcionalmente longas; a superfície do caule coberta por tricomas (pelos) orientados para baixo; e a presença de braquiblastos (ramos encurtados) nas axilas das folhas. Outros exemplares foram encontrados posteriormente em herbários da Universidade Federal do Ceará (EAC), da Universidade de São Paulo (ESA) e do Museu Nacional (R). Neste último, foi encontrado um espécime coletado no Ceará, pelo botânico Dr. Francisco Freire Allemão e Cysneiro, no final da década de 1850!
As etapas seguintes da pesquisa, realizadas em parceria com professores da UEMA, UFMA e USP, incluíram coletas adicionais de exemplares em restinga na Praia do Calhau (São Luís), observação e fotografia das plantas vivas em seu habitat, além de análise em laboratório para elaboração de descrições e medições de caracteres morfológicos. Por fim, foi feita a redação do manuscrito em colaboração.
A nova espécie recebeu o epíteto “nordestina” porque foi registrada exclusivamente na região nordeste brasileira, em áreas de restinga e cerrado dos estados do Ceará, Maranhão e Piauí, principalmente sobre solos lateríticos (ricos em óxidos de ferro e alumínio) úmidos, às vezes muito próximas à praia, expostas ao vento constante e à maresia.
Embora populações de B. nordestina ocorram em restingas, as quais são categorizadas como Áreas de Preservação Permanente, esta espécie está ameaçada devido à redução de seu habitat por interferência antrópica com ações de desmatamento, ocupação e degradação da área.
A descoberta de uma nova espécie com distribuição relativamente ampla e que ocorre dentro de áreas urbanas como São Luís é surpreendente e evidencia a lacuna no conhecimento da flora da região. Além disso, o fato de a primeira coleta da planta ficar cerca de 160 anos sem uma identificação mostra a falta de taxonomistas estudando Orobanchaceae e trabalhando na região.
Nas orlas de São Luís, inclusive no mirante da Litorânea, é possível observar espécimes de Buchnera nordestina crescendo na vegetação das dunas. São ervas com cerca de 10 a 60 cm de altura, com caules e folhas verdes a vináceos, com pequenas flores brancas a rosadas. A espécie floresce entre maio e dezembro, durante a estação seca.
A pesquisa resultou em artigo com autoria do Dr. André Vito Scatigna (UEMA), Drª Raysa Valéria Carvalho Saraiva (UFMA), Arthur Filipe Mendes Couto (UEMA), Dr. Vinicius Castro Souza (ESALQ/USP) e Drª Francisca Helena Muniz (UEMA).
Confira o artigo completo aqui
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Hoje o mogno africano é considerado um bom investimento de longo prazo para aqueles que buscam diversificar seus investimentos. O mogno africano produz uma madeira nobre apreciada no mercado europeu e norte americano. Essa planta tem conquistado cada vez mais as paisagens rurais brasileiras pelo alto valor agregado de seu produto final e a alta produtividade quando a floresta é bem manejada, assim como para recuperaão de áreas degradadas.

Pensando nisso, a Universidade Estadual do Maranhão, por meio do Programa de Pós Graduação em Agricultura e Ambiente, realizou a pesquisa “Modelos para a Implantação de Povoamentos de Mogno Africano para Pequenas Propriedades da Região Oeste Maranhense”. O objetivo foi avaliar os efeitos da consorciação de culturas agrícolas (feijão-caupi, milho e mandioca) sobre a sobrevivência, o crescimento de mogno africano e o impacto econômico e ambiental em área degradada na região citada.

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A pesquisa foi realizada pelo professor Fábio Figueiredo e o orientando Filipe Rezende Lucena, inclusive originando a dissertação do aluno. Especificamente, o trabalho foi voltado para três questões: a recuperação de áreas degradadas, o potencial da silvicultura no estado do Maranhão e o desenvolvimento socioeconômico dos pequenos e médios produtores.

Segundo o Prof. Fábio Figueiredo, “os sistemas agroflorestais apresentam como vantagens o uso múltiplo dos solos, com a diversificação de culturas agrícolas, florestais e animais em um mesmo espaço e ao mesmo tempo, ou de forma alternadas. Essa diversificação contribui para a diversificação da renda bem como para a segurança alimentar da população nas áreas rurais”.

Ele, ainda complementou: “de fato, o uso de espécies florestais para a recuperação de áreas degradadas é uma ótima opção dentro da propriedade e o Mogno africano, espécie de grande valor agregado, além de contribuir com a recuperação do solo é um produto que vai gerar um aporte financeiro para o produtor”.

O projeto teve início em 2018 e foi finalizado em fevereiro de 2021 e aconteceu em uma propriedade rural no município de Porto Franco, região Oeste Maranhense, a aproximadamente 718km da capital São Luís.

A pesquisa foi realizada pelo sistema de produção silviagrícola, na qual foi inserido o modelo taungya, que considera a introdução de culturas agronômicas nos primeiros anos após implantação do cultivo florestal. O trabalho foi composto por três tratamentos: T1 – Plantio convencional (plantio puro de mogno africano); T2 – Sistema taungya composto por mogno africano + milho + mandioca; e T3 – Sistema taungya composto por mogno africano + feijão + milho + mandioca. No primeiro ciclo do tratamento T2 foi plantada a variedade de milho híbrido CD 384PW, e no segundo ciclo a cultura da mandioca jabuti (Manihot suculenta), já para formação do tratamento T3, foi realizado um ciclo com feijão-caupi (Vigna unguiculata), e posteriormente um ciclo com milho e um ciclo com mandioca das variedades já mencionadas, onde as culturas agronômicas tiveram toda produção levada a venda em mercado local. Foram avaliadas as seguintes características para cultura do feijão: produtividade de vagens verdes; comprimento médio de vagem; peso de vagem; número médio de grãos por vagem; produtividade total; massa seca de parte aérea.

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As características observadas para produção de milho verde foram: altura de plantas; produtividade de espiga com e sem palha; peso de espigas com e sem palha; porcentagem de espigas comerciais; comprimento, diâmetro e peso de 20 espigas comerciais por parcela.

Os dados agronômicos para cultura da mandioca foram: estande final, altura de plantas, diâmetro de caule e produtividade de raízes. Foram também analisadas as características químicas, físicas e microbiológicas do solo ao longo de 12 meses. O mogno africano foi avaliada quanto a taxa de sobrevivência, e os dados biométricos para altura (m) e o diâmetro do colo (mm). Durante todo o período avaliativo foram elaboradas planilhas dos custos de implantação dos sistemas, para posterior análise econômica e comparação com as receitas e despesas dos diferentes sistemas de manejo estudados.

Como resultado, os pesquisadores chegaram aos seguintes resultados: O crescimento inicial do mogno africano (Khaya ivorensis) em altura foi superior quando cultivado em consorcio com feijão e milho; houve um aumento na densidade de bactérias totais no solo na área cultivada com feijão.

Além disso, nos sistemas de taungya, o cultivo e venda das culturas agrícolas foram capazes de amortizar em 20,63% e 25,23%, respectivamente para o tratamento 2 (mogno africano + milho + mandioca) e tratamento 3 (mogno africano + feijão + milho), o custo total de implantação e manutenção do plantio florestal no período avaliado. Contudo, ao retirar os custos de atividades manuais para o agricultor familiar, que utiliza mão de obra própria, o consórcio de mogno com milho e mandioca resultou no menor custo final, com uma redução de 65,57% em relação ao cultivo puro.

De acordo, com as dimensões alcançadas pelas plantas de Mogno africano (aos 2 anos), o espaçamento adotado (3×3 metros) permitirá que o consórcio com espécies agrícolas possa ser mantido por mais tempo, o que poderá contribuir com o aumento da amortização do investimento inicial.

“A UEMA tem papel fundamental no desenvolvimento da agricultura maranhense. Além dos cursos de graduação em Agronomia, Zootecnia e Veterinária, temos os Programas de Pós Graduação em Agricultura e Ambiente no Município de Balsas, o de Agroecologia, o Ciência Animal e o Defesa Sanitária Animal em São Luís. E de fato os pesquisadores da UEMA tem desenvolvido grandes e importantes trabalhos para o benefício da sociedade maranhense”, finalizou o professor.

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Sobre a madeira do mogno africano

É muito usada na produção de móveis. Muitos apreciam o material pela facilidade com que é trabalhado, pela estabilidade e duração. Depois de polida, a madeira apresenta um aspecto castanho-avermelhado brilhante que chama atenção pela beleza. O mogno é usado em mobiliário de luxo, objetos de adorno, painéis, acabamentos internos, entre outros. E aproveitado também na produção de instrumentos musicais, principalmente em guitarras e violões, pelo timbre característico e ressonância sonora, que tende ao médio-grave.

Por: Paula Lima