Pesquisadores da Uema realizam estudos sobre Genética Canina em Foco
Por Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação em 30 de março de 2026
instagram: @uema.ppg
Os estudos que tiveram início em setembro de 2025, buscam, sobretudo, conscientizar tutores, proprietários de Canis e clientes dos hospitais veterinários de São Luís – HV da Uema e HV do Município -, sobre os graves problemas de saúde e impactos negativos na qualidade de vida dos animais portadores do duplo Merle.
O duplo Merle é uma condição genética negativa que acontece na espécie canina de qualquer raça, decorrente do cruzamento entre dois animais que possuem o gene da pelagem Merle. Os estudos mostram que, enquanto um cão nessa condição tem apenas uma cópia do gene, um duplo Merle herda o gene de ambos os pais, resultando em sérios problemas, incluindo a surdez e a cegueira.
É um padrão de pelagem em cães caracterizados por manchas irregulares de cor diluída – cinza, azul e marrom – sobre uma base mais escura, que pode ser encontrada nas mais diferentes raças e tamanhos. Tem uma característica de cor sólida ou bicolor, mas, também, pode afetar a pigmentação da pele do pet e resultar em um par de olhos azuis ou até mesmo um olho de cada cor, a chamada heterocromia.
De acordo com a professora doutora Marília Albuquerque, coordenadora dos trabalhos, as doenças genéticas em cães (especialmente o duplo Merle) são de grande interesse de pesquisadores e veterinários, pois, segundo ela, afetam não apenas a saúde dos animais, mas também a qualidade de vida dos seus tutores. Ela ainda explica que, atualmente, este tem sido um tema amplamente discutido por profissional da área. “Seus efeitos estão relacionados com a cegueira e a surdez apresentadas por estes animais, o que podem comprometer gravemente a capacidade de interagir com seu meio ambiente e levar uma vida normal”, destaca a professora.
A pesquisadora informa que, diante disso, está sendo desenvolvido um projeto de extensão com o objetivo de promover a prevenção e a conscientização sobre o padrão duplo Merle, por meio de ações educativas voltadas à comunidade acadêmica e ao público externo.
Marília esclarece que as ações estão sendo desenvolvidas em parceria com o Hospital Veterinário Municipal (HVM), contemplando diferentes públicos-alvo, como tutores de animais, estudantes e profissionais da área de medicina veterinária. “Os tutores participantes do projeto são aqueles que já utilizam os serviços de atendimento veterinário do HVM”, ressalta.
A professora Marília conclui dizendo: “Pra mim, como orientadora do projeto, acredito que haja maior fortalecimento do vínculo entre a universidade, os hospitais públicos e a comunidade, já que a universidade se afirma como agente ativo na promoção da saúde pública veterinária, aumentando sua relevância social e gerando impactos positivos diretos na comunidade”.
Para a bolsista e aluna do curso de Medicina Veterinária da Uema, Ana Katharina, o projeto contribui para a formação acadêmica dos estudantes envolvidos, ao proporcionar vivência prática e desenvolvimento de habilidades.
Conforme o estudo, até o momento, 42 tutores foram diretamente alcançados, mediante informações, por meio de folders educativos e esclarecimentos sobre as alterações associadas ao gene Merle. Isso proporcionou maior interesse e engajamento dos participantes, além da ampliação do conhecimento sobre a prevenção dessas enfermidades, contribuindo para a conscientização e para a adoção de práticas mais responsáveis no cuidado e manejo dos animais. Além disso, foi feito levantamento de dados com os tutores, e os bairros que mais se destacaram foram Turu, Maiobão, Anjo da Guarda, Vinhais e Cohab.
Como resultado das ações realizadas, a equipe de pesquisadores espera que haja ampliação do conhecimento da comunidade, tutores e estudantes em formação sobre as doenças genéticas caninas, reduzindo, com isso, a incidência de enfermidades como as malformações resultantes do duplo Merle, sem perder de vista que deve ser considerado indispensável a reprodução responsável entre os tutores atendidos, visando diminuir o número de acasalamentos dos animais com predisposição genética, o que vai colaborar para a melhoria da saúde geral da população canina.
Por: Alcindo Barros


