Pesquisa da Uema revela transformações do Forte São Luís ao longo de 400 anos com mapas históricos
Por Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação em 9 de setembro de 2026
No século XVII, a fortificação foi responsável por orientar o crescimento da cidade. O território se expandiu sob o traçado do engenheiro português Francisco Frias de Mesquita, que desenhou uma malha quadriculada, configuração que permanece intacta no centro histórico da capital. Em contraponto, o Forte São Luís se apresenta desfigurado atualmente. De lugar marcante e imponente no período colonial, a estrutura foi transformada em um trecho da Avenida Beira Mar.
O estudo demonstra que as sucessivas intervenções, como o desarmamento em 1883, a demolição do portão em 1886 e o seccionamento das muralhas na década de 1940, transformaram progressivamente essa fortificação de lugar identitário em não-lugar urbano. “O Forte São Luís se tornou um não lugar no cenário urbano atual, e seus elementos passam despercebidos no espaço”, destacam os autores, que se ampararam em pesquisas bibliográficas, documentos históricos, discursos de presidentes da província e relatos de historiadores e memorialistas para investigar o passado do Forte e reviver sua memória.
A publicação chega em um momento de reflexão sobre a história de São Luís, contribuindo para a compreensão dos processos de ressignificação da cultura material urbana e da relação entre memória coletiva e espaço construído em contextos de modernização urbana. O ineditismo do trabalho está nos três mapas publicados e também na análise temporal do Forte em suas várias fases ao longo do tempo, oferecendo uma nova perspectiva sobre a verdadeira dimensão do Forte, que até então não havia sido explorada pela historiografia.
Sobre os autores
O professor Érico Peixoto Araujo é graduado em Engenharia Civil pela Uema, especialista em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), mestre em Engenharia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e doutor em Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente, é professor associado I da Uema e chefe do Laboratório de Informática da universidade. É líder do grupo de pesquisa LABHAB+INOVAÇÃO da Uema junto ao Diretório do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) desde 2020 e participante do Comitê Gestor da Estratégia Building Information Modeling em Maranhão (BIM-MA). Atua em pesquisas historiográficas sobre obras públicas e desenvolvimento das cidades e, também, em pesquisas na área da informática que envolvem levantamento por nuvens de pontos e tecnologia BIM.
A arquiteta e urbanista Ana Beatriz Pinheiro e Pinho é graduada pela Uema, onde desenvolve projetos de pesquisa e extensão. Atualmente, é arquiteta da empresa Lastro Engenharia e realiza atividades que envolvem as áreas da arquitetura e engenharia civil.
O artigo está disponível para leitura no periódico dos Anais do Museu Paulista e reforça a importância de reconhecer a história e a identidade dos lugares na construção da cidade contemporânea.
Referência:
ARAUJO, Érico Peixoto; PINHO, Ana Beatriz Pinheiro e. Do Forte à Avenida: transformações da cultura material no marco fundacional de São Luís (1612-2025). Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, São Paulo, v. 34, p. 1-53, 2026.
Acesse artigo AQUI: https://revistas.usp.br/anaismp/pt_BR/article/view/241529/227004
Por: Caio Santos/Ascom
