Mestrando da Uema é o único brasileiro a participar de curso internacional na Argentina sobre microbiologia do solo


Por em 8 de abril de 2026



instagram: @uema.ppg

O mestrando Victor Hugo, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), foi selecionado para participar do curso internacional Micro4Agro, realizado em Quilmes, na Argentina, de 09 a 14 de março, sendo o único brasileiro entre os participantes. A formação reuniu estudantes e pesquisadores de diversos países da América Latina e teve como foco a microbiologia do solo e a biotecnologia microbiana aplicadas à agricultura.

A notícia da seleção chegou no dia 23 de dezembro, e, segundo Victor, foi recebida com surpresa e emoção. “Um susto! Um verdadeiro presente de Natal, talvez o maior que eu já tenha recebido”, contou.

O estudante recebeu uma bolsa integral, que cobriu os principais custos do curso, incluindo hospedagem, passagens aéreas e alimentação. O Micro4Agro foi financiado pelo Programa de Biotecnologia da Universidade das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (UNU-BIOLAC).

Victor destacou ainda que só descobriu que era o único brasileiro no primeiro dia de aula, durante as apresentações. “Isso aumentou ainda mais o meu desejo de representar o meu país, meu estado e a minha universidade da melhor forma possível”, afirmou.

O curso contou com 27 alunos, vindos do Uruguai, Chile, Equador, Colômbia, além de diversas regiões da Argentina, promovendo uma intensa troca de experiências acadêmicas e culturais.

“Foi muito divertido ser o único brasileiro da turma. Todo mundo queria conversar comigo para compartilhar que tinha vontade de conhecer o Brasil”, relatou Victor, que também destacou o interesse dos colegas pelas pesquisas desenvolvidas no país.

No ambiente científico, ele avaliou que a experiência foi extremamente enriquecedora. “Fiquei muito feliz em perceber que, no aspecto da pesquisa científica, o Brasil é muito bem visto pela qualidade e comprometimento dos nossos trabalhos”, disse.

Entre os principais objetivos do Micro4Agro estava oferecer ferramentas teóricas e práticas para análise da microbiologia do solo, incluindo estudos sobre bactérias e fungos, além de aplicações na agricultura e na biotecnologia.

Durante o curso, Victor teve contato com 13 especialistas, que ministraram conteúdos específicos e atividades práticas. O estudante também destacou experiências marcantes no laboratório, como a realização do processo de extração de DNA do solo, uma atividade que, segundo ele, contribuiu diretamente para sua formação científica.

Victor Hugo desenvolve pesquisa de mestrado com foco em agregados do solo, buscando compreender como esses agregados, na região Amazônica, são influenciados pelo manejo aplicado. O trabalho é orientado pela Profa. Dra. Camila Pinheiro Nobre (Uema) e coorientado pelo Prof. Dr. Marcos Gevarsio (UFRRJ).

Segundo ele, um dos principais ganhos do curso foi o aprofundamento metodológico relacionado à análise de enzimas do solo, consideradas indicadores sensíveis às mudanças de manejo. “Consegui tirar várias dúvidas sobre o processo, além de receber diversos materiais de apoio que serão fundamentais no processo de escrita da dissertação e da pesquisa”, explicou.

Além do conteúdo técnico, Victor destacou que a vivência internacional foi também transformadora no aspecto pessoal. Para ele, um dos momentos mais marcantes ocorreu no penúltimo dia, quando os participantes apresentaram os projetos desenvolvidos ao longo do curso.

“Foi nesse instante que a ficha realmente caiu para todos: o curso estava chegando ao fim, e o vínculo que havíamos construído ao longo daquela semana também”, disse. Mesmo após o encerramento do curso, ele afirma que os participantes mantêm contato e continuam trocando experiências pelas redes sociais, fortalecendo laços acadêmicos e pessoais.

Para estudantes que desejam buscar oportunidades internacionais, Victor reforça a importância da preparação, especialmente no aprendizado de idiomas e na atenção aos editais disponíveis. “Preparem-se. Busquem aprender uma nova língua. Não deixem para começar depois, comecem agora”, aconselhou.

Ao relembrar o medo que sentiu ao receber a notícia da aprovação, ele citou Clarice Lispector: “Depois do medo, vem o mundo”. Segundo Victor, mesmo com inseguranças, a decisão de aceitar o desafio abriu novas possibilidades. “Eu fui, com medo mesmo. E essa decisão abriu um mundo completamente novo para mim”, concluiu.

A orientadora do mestrando, professora Camila Nobre, ressaltou que a participação em experiências internacionais amplia a formação acadêmica e fortalece redes de colaboração. “A participação em cursos e eventos no exterior amplia a formação científica, promove a troca de experiências e fortalece a construção de parcerias e redes de colaboração. O fato de Victor Hugo ter sido o único brasileiro selecionado evidencia a qualidade do trabalho desenvolvido e contribui para dar visibilidade às pesquisas do grupo, ampliando o diálogo científico internacional”, destacou.

Segundo a professora, além de beneficiar diretamente o aluno, a experiência contribui para o avanço das pesquisas desenvolvidas na universidade, ampliando o diálogo científico internacional e abrindo novas oportunidades de cooperação.

Por: Paula Lima/PPG



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